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Os 7 Pecados Mortais

Preguiça

Por Dr. Vasco Catarino Soares

CLICK IN Nº 19 de Fevereiro 2006
 
 

São 23:12 de Domingo. Estou frente a uma folha em branco. Há algo pelo qual devo escrever, mas já não me recordo o que é. Ainda ontem sabia tão bem o que era. Sabia e não fiz nada. Não peguei na caneta, ou no lápis, ou no raio da lapiseira. E lá se foi uma boa oportunidade. Depois desperdicei o meu rico tempo a ouvir o “festival” que ocorria na casa da vizinha do 3º Esquerdo. Deitado no sofá (olhar vazio a fingir que fixava o tecto) pus-me a adivinhar o motivo de tanta algazarra. Teria se dado o caso da mãe ter, finalmente, descoberto que o namorado é actor de filmes de “coiso e tal”? Ou terá o namorado sido confrontado com o facto de ela ter um amante? Que ainda por cima é sacristão.
Em qualquer dos casos, era tudo muito telenovela venezuelana e acabei por não escolher nenhuma das hipóteses e continuei sem fazer nada. A atar a perna à rã. Ou lá como diz o povo.

 

Para falar verdade, eu sei muito bem sobre o que tenho que escrever. É sobre a preguiça – a palavra até custa a dizer. É cá uma trabalheira. O que ainda não sei é o que vou escrever. Essa é que é essa.
Na semana passada comecei a esboçar o texto versando sobre aquelas pessoas (tipo tias) que são tão preguiçosas que até para manter a “linha” não despendem um pingo de suor (entenda-se esforço) e ficam deitadas numas máquinas que fazem o exercício por elas. Mas a coisa não estava a sair em condições e de imediato apoderou-se de mim uma vontade de não fazer coisa alguma. E lá fiquei imóvel no paciente sofá.
No dia seguinte lembrei-me de fazer qualquer coisa com referência à Assembleia da Republica. Como é sabido, sede universal da “ dulce fare niente ” (passa-se o tempo todo sentado, dá para fechar os olhos e “serrar o galho”, só lá se vai quando se está para aí virado, quando se faz algum é para se discutir mais privilégios para os deputados, etc.) A ideia até era engraçada mas não tinha piada nenhuma. Passo a explicar. Primeiro, porque não é verdade. Na Assembleia “trabalha-se pra caraças” (é o que eles dizem). Segundo, não tinha piada porque se há coisa que estes senhores sabem fazer, e bem, é apresentar queixas por difamação. E eu não estou para isso. Resumindo: mais uma ideia posta de lado; mais uma visita ao meu encantador (um pouco puído e desbotado) sofá; mais umas horas sem nada fazer.

 

Lembrei-me agora da tal ideia de ontem para compor o textozinho sobre o pecado mortal deste mês. Era uma rábula baseada numa história que me contou um puto. A história falava de dois ursitos, irmãos, que estavam na sua caverna e haviam descoberto que seus pais estavam mortos, depois de várias tentativas para os acordar. Dizia o rapaz que fôra por causa de tanto terem procurado alimento para os filhotes. Perante tal cenário (sem comida e sem pais), a irmã mais velha teria proposto irem rezar e pedir a Deus para que este os deixasse comer os seus pais. Contudo, o mais novo logo se lembrou que ambos não sabiam rezar – o espertalhão. A mais velhita, que não era parva nenhuma, responde-lhe: - Então comemos os pais agora e depois vamos à missa para desfazer os nossos pecados.
Ora toma! Aqui está uma bela história. Tem drama. Tem pecado. Tem o seu quê de romantismo - admitam-no. Só não tem é nada que ver com a preguiça. E por isso não serve.
Como podem constatar não é fácil falar da preguiça. Só encontrei uma forma de vos fazer passar a ideia. E vou fazê-lo no famoso sofá.
Lamento mas desta vez não há pecado mortal para ninguém.

 

Dr. Vasco Catarino Soares
Psicólogo Clínico, Neuropsicólogo Clínico, Docente Universitário
Director INSIGHT – Psicologia
vascosoares@insight.pt

 
 
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