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Os 7 Pecados Mortais

Vaidade

Por Dr. Vasco Catarino Soares

CLICK IN Nº 15 de Novembro 2005
 
 

Desta vez, considerando que o tema é a Vaidade, decidi não narrar coisa alguma. Nada. Népia. Eu sei! Pode parecer estranho, mas se me ponho a escrever posso incorrer no pecado em causa. N `est Pas? Viram! eu bem Vos disse. Afrancesar as frases é o primeiro sintoma da vaidade no ser humano (O Quê? Os Franceses, vaidosos e orgulhosos? Agora que falam nisso...). É verdade que também pode significar que somos imigrantes. Mas aí tudo bem, não nos podem acusar de estar a pecar, ainda que nos possam chamar todos os nomes feios de que se lembrem.
Prometi não narrar e é o que vou fazer: [imaginem 10 linhas em branco]
Bem parece que não dá. Estão aqui a dizer que se não paro com o N …
• M da brincadeira...

 

Certo. Mas para evitar cair em tentação, vou abster-me de opinar, passando a entrevistar uma pessoa insuspeita: um ex-vaidoso (pediu anonimato por razões obvias). Foi o melhor que se pôde arranjar. Pelo menos não se corre o risco de aturar descrições vaidosas e exibicionistas acerca da sua própria beleza ou feitos alcançados. É garantido. Nada pode ser mais chato e anti-coisa do que um ex-qualquercoisa. Ah! Devo avisar que a responsabilidade pelo que for escrito deixa de me caber, pelo que peço que não me enviem e-mails com insultos ou ameaças de morte (só respondo aos insultos e ameaças relativas à crónica do mês passado: Gula). Eu apenas faço as perguntas.

 

Entrevistador: Sr. Ex. é conhecida a sua história de vaidade e recente conversão. Fale-nos dessa experiência.

Ex-Vaidoso: Bem. No princípio era uma sensação de poder e bem estar, porque acreditava em todas as qualidades que me atribuía. Cheguei a acreditar que era Jesus Cristo. Ai não! isso foi uma pastilha marada que me deram numa RGA nos anos 70. Sim! Fiz coisas horríveis como olhar para um espelho durante 30 segundos, na manhã de 14 de Março de mil nove e 94 – ainda me lembro como se fosse ontem. Depois... [lágrimas] tudo desabou. Percebi que me estava a transformar num holograma: vazio, oco e inconsistente. Foi a minha esposa que o disse (faleceu nesse dia). Aí vi que tinha que mudar, o que não foi fácil. Tive algumas recaídas e ainda me candidatei a cargos de Presidente (mas nunca desci a uma candidatura a Belém), mas os outros cotas do condomínio não votaram em mim.

Entrevistador: E qual foi o facto que o fez mudar?

Ex-Vaidoso: Foi uma biografia do Dean Martin, uma revelação mística. Quando questionado sobre a sua vida. o Dean respondeu: - Em beleza. É bestial. Acordo todas as manhãs. Grande movimento intestinal. A criada mexicana faz-me o pequeno almoço. Venho até ao clube. Nove buracos, pelo menos. Um belo almoço. Vou para casa, sento-me à televisão, a criada mexicana faz-me um belo jantar. Uns copos, cama. Acordo na manhã seguinte. Outro grande movimento intestinal. Belo. É assim, a minha vida.»

Entrevistador: Admirável... Quem são para si os novos vaidosos?

Ex-Vaidoso: Ora bem... Acho que agora são todos advogados e políticos. Hum... Conheço um tipo apanhador de cartão que também é. Quase todos. Não posso deixar de lamentar. É como se uma pessoa ficasse sem história (fio condutor, sequência). O vazio do nada obriga o indivíduo a ter que se reinventar constantemente. Cada dia um novo episódio. Biografia zero. Ecrã em branco.

 

Dr. Vasco Catarino Soares
Psicólogo Clínico, Neuropsicólogo Clínico, Docente Universitário
Director INSIGHT – Psicologia
vascosoares@insight.pt

 
 
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