"Regresse à Página Principal"

 

   
 

Educação, Ensine as crianças a lidarem com o dinheiro.

Mãe, o que é a mesada?

Mais cedo ou mais tarde, os seus filhos vão pedir-lhe uma mesada. E logo depois vão exigir um aumento. É verdade, está na hora de falar de dinheiro.

POR BÁRBARA SILVA

SÁBADO Nº 61 de 1 Julho 2005

 

Amélia Magalhães Carvalho nunca precisou de ensinar à filha o valor do dinheiro. Com apenas 5 anos, muito antes de começar a receber mesada, Filipa chegou a casa com os bolsos cheios de moedas de cem escudos. Para espanto da advogada, de 39 anos, a filha passou o dia a alugar os óculos às colegas de escola. No final, arrecadou quase 10 euros.
"A Filipa sempre teve muito jeito para lidar com dinheiro. Tem espírito de negociante. Agora com 14 anos, vende pósteres às amigas e factura um dinheiro extra", conta Amélia, que deu a primeira mesada à filha aos 9 anos. Começou com 20 euros, duplicou, e agora já vai nos 50 euros por mês. A mãe confessa que sempre teve dúvidas sobre a mesada: "Tenho medo de dar dinheiro a mais, cedo demais."

 

Não tem de se assustar. Um estudo do Canadian Imperial Bank of Commerce, com entrevistas a 469 pais revelou que a idade média para as crianças começarem a receber mesada é aos 7 anos. A mesma sondagem, desenvolvida pela empresa Environics, concluiu que só 41% dos pais dão mesada aos filhos, desses 74% prefere a opção semanada, 11% dá dinheiro duas vezes por semana e apenas 10% opta pela mesada.
O psicólogo Vasco Soares, da clínica Insight garante que não há uma idade ideal para começar a passar a responsabilidade do dinheiro à criança: depende da maturidade dos miúdos e da vontade dos pais. "Quando os filhos mostram curiosidade sobre o dinheiro, os pais devem explicar de onde vêm as moedas e as notas, e para que servem", diz o psicólogo, garantindo que a mesada só é aconselhável quando a criança vai para a escola. "Nesta idade, os pais devem dar aos filhos quantias exactas."
Entre os 6 e os 10 anos as crianças não têm noção da responsabilidade, por isso não sabem gerir o dinheiro. "Se for mais, vão gastar mais. O ideal é começar com uma semanada por volta dos 10 ou 11 anos, e depois evoluir para uma mesada", aconselha o psicólogo.

 

Amélia Magalhães Carvalho optou por essa solução. Aos 11 anos, o filho mais novo, Diogo, recebe uma semanada de 10 euros, dada pelo pai todas as Quartas-feiras. Em casa, os dois irmãos guardam as notas num envelope, onde apontam as entradas e saídas e as respectivas datas. "É uma forma de incutir responsabilidade e ensiná-los a controlar os gastos", diz Amélia.

 

Vasco Soares garante que não há uma fórmula exacta para calcular o valor da mesada: "o primeiro passo é fazer um apanhado dos gastos e calcular um valor com base nessa estimativa. É um erro dar mesadas muito elevadas. Dinheiro fácil na infância resulta sempre em adultos irresponsáveis."
Natália Nunes, responsável da DECO (Associação de Defesa do Consumidor), garante que a mesada é uma medida preventiva para evitar que as crianças se tornem adultos consumistas e endividados. "Dar mesada não basta. Os pais devem ensinar os filhos a poupar, a fazer o seu próprio orçamento. Essa aprendizagem deve ser feita em casa e na escola", diz.

 

Apesar de o sistema monetário português só fazer parte do currículo escolar do 2º ano, a professora Carla Tavares, 34 anos, já ensinou os seus alunos do 1º ano a importância do dinheiro. Explicou-lhes o valor das moedas e das notas, encenou uma feira e ensinou as crianças a jogar ao Monopólio infantil.
A professora ainda não dá mesada ao filho Rui, de 6 anos, por ser muito novo: "as crianças devem ser protegidas do consumismo até terem idade para perceber o que é bom e o que é mau."

 

A amiga Teresa Paiva, de 41 anos, também professora, concorda com a ideia e só dá mesada às duas filhas mais velhas. Cláudia, de 14 anos, e Rita de 11, recebem o mesmo valor: 15 euros por mês. As gémeas, Madalena e Catarina de 6 anos, ainda não têm direito à mesada, mas quando os pais distribuem o dinheiro pelas irmãs fazem birra e exigem uma notinha. "São exigentes, não se contentam com moedas", conta a mãe. Madalena é a mais consumista: "Um dia fez uma birra porque queria que eu lhe comprasse um livro. Eu disse que não tinha dinheiro e mostrei-lhe a carteira vazia. Respondeu-me logo: vais à máquina e tiras com o cartão."

 

Com três filhos de idades diferentes, Estela Pinto, 45 anos, enfermeira, aposta em mesadas diferentes. Pedro tem 21 anos e recebe 175 euros; Patrícia, de 12 anos, "ganha" 20 euros por mês e Manuel, de 11, não vai além dos 2,5 euros por semana. Quando têm uma boa nota num teste, Estela dá aos filhos mais novos uma moeda de 50 cêntimos ou de um euro. "É um mimo", diz. Aos pais que ligam a mesada ao desempenho escolar, Vasco Soares deixa o aviso: "é incorrecto e passa uma mensagem errada. As crianças preferem sempre a companhia dos pais em vez do dinheiro."

 

Dinheiro para todos

 

Dos 3 aos 6 anos

* A gestão do dinheiro é feita em curtos espaços de tempo. È melhor optar pela semanada;

* Dê sempre o mesmo valor e no mesmo dia;

* Arranje um pote de vidro ou um mealheiro transparente - assim a criança vê o dinheiro a crescer.

Dos 7 aos 10 anos

* Ensine os seus filhos a fazer um orçamento e a pouparem parte da semanada;

* Se o seu filho pedir um aumento, analise com ele os motivos do pedido;

* Valorize uma boa gestão;

* Não vincule a semanada aos bons resultados escolares.

A partir dos 11 anos

* O pré-adolescente já pode receber mesada;

* Negoceie um valor e um dia certo do mês, e cumpra o combinado;

* Aconselhe-o a fazer um depósito a prazo;

* Incentive-o a doar algum do seu dinheiro a obras de caridade.

 
 
 
Marcação consulta:
 Lisboa: Leiria:
 
INSIGHT-Psicologia
LISBOA: Rua do Conde de Redondo, 60, 5º Piso 1150-108 Lisboa
LEIRIA: Rua Dr. João Soares, Lote A, r/c Esq. 2400-448 Leiria
 

Página Principal | Site Map | Notícias | Serviços | Formação Pais | Pág da Criançada | Contactos | Testes Psicotécnicos | Formação Psicólogos | Terapia Fala | Localização | Desenvolvimento Infantil | Exame Condutores | Terapia de Casal