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GAFES DO PRIMEIRO ENCONTRO

ROMANCE. COMO SUPERAR PEQUENOS ACIDENTES

Trapalhadas, rusgas, boladas, discussões. Os primeiros encontros podem ser verdadeiras catástrofes. Se fosse consigo, aceitava voltar a ver a mesma pessoa? Há quem aceite e não se arrependa.

Por Vanda Marques

REVISTA SÁBADO Nº 220 Julho 2008

 
 

Imagina uma noite romântica com ladrões, armas e uma rusga policial? Foi assim que, em 2002, começou o namoro entre Pedro Nascimento e Sandra Silva, ambos com 39 anos. Ela estava de férias no Algarve e ele foi visitá-la. Durante dias, ele fantasiou um encontro inesquecível, mas a realidade foi, bem, um pouco diferente. Em vez de um jantar a dois, teve um jantar a três – Sandra estava com uma amiga. Mesmo assim, o técnico de marketing não desistiu. Quando finalmente ficaram sozinhos, no carro, deu-lhe um beijo. Ele achava que nada podia estragar aquele momento – mas voltou a enganar-se. “A Sandra começou a ficar pálida e disse-me que um homem se aproximava. “Pedro trancou as portas, mas nessa altura começaram os gritos de “mãos ao alto”. Quando repararam estavam rodeados por mais de 20 policias à paisana e guardas da GNR. “Só via armas à nossa volta. A seguir, apareceram quatro carros que bloquearam o automóvel do casal. “Ficamos petrificados, sem saber o que fazer.” As coisas só acalmaram quando os dois ladrões que estavam em fuga foram presos.

Encontros românticos desastrosos são mais comuns do que se imagina. E não condenam forçosamente uma relação. “O importante é não esquecer o que realmente interessa: o sentimento que une as pessoas”, diz a sexóloga Vânia Beliz.

Um começo desastroso pode ser positivo? Um estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, assegura que os encontros perfeitos são os mais traiçoeiros, porque muitas pessoas alteram a sua personalidade só para agradar o outro. “Os individuos que se comportam melhor nos encontros amorosos e sociais parecem ser ideais para manter uma relação, mas não é bem assim. Na verdade, acabam por se revelar os mais infelizes e avessos a compromissos”, diz Michael E. Roloff, professor em Northwestern.

Sandra e Pedro conseguiram evitar o fiasco recorrendo a uma regra fundamental: lidar com o imprevisto. Ela não entrou em pânico e não o culpou por ter estacionado numa zona isolada. E ele não se armou em herói, mas transmitiu confiança. Aquela situação de grande stresse até acabou por os aproximar, mas o psicoterapeuta Vasco Soares tem outra justificação para o facto de a relação ter sobrevivido – a tranquilidade de Pedro. “É o motor para que tudo corra bem. Ninguém aprecia gente desesperada.”

Mesmo sem armas nem polícias, o primeiro encontro pode ser violento. Pelo menos a nível emocional. As pessoas estão ansiosas, cheias de expectativas e, quando as coisas correm mal, não aguentam a desilusão. Isabel, de 33 anos, começou a namorar com Paulo há três anos. Viram-se pela primeira vez num jantar em casa dela. Mas não teve um happy ending. “O desejo estava lá, mas o físico não correspondia. Tínhamo-nos divertido imenso, até entramos no meu quarto”, diz esta controladora de qualidade. A noite acabou em discussão, ofensas e gritos. “Senti-me muito frustrada, pensei que a culpa era minha. E, de um momento para o outro, começámos a trocar ofensas do género “tu não sabes fazer isto ou aquilo”, “fazes tudo mal”, “és um desastre”, conta. Para piorar a situação, os amigos voltaram para a casa da Isabel. Quando Paulo se foi embora, pensava que nunca mais se iam ver.

Mas, como defendem os especialistas, um primeiro fracasso não deve condenar uma relação. “Estes momentos são sempre ricos em tensão e expectativas; com o passar do tempo, a naturalidade e a espontaneidade tomam conta do casal e essa veracidade é mais importante do que situações alimentadas pela fantasia ou por mentiras”, diz Vânia Beliz.

Quando se reencontraram, Isabel e Paulo quiseram resolver o problema. Falaram sem complexos e ultrapassaram a raiva. A sexóloga diz que o segredo foi terem conseguido comunicar. E até rir do episódio.

Mais hilariante foi o primeiro encontro de Carla Andrade, de 36 anos, e do ex-marido. “O António pediu-me em namoro num jardim e, quando íamos dar um beijo, levou uma bolada e deu-me uma cabeçada sem querer.” A vergonha foi tal que passaram duas semanas até voltarem a falar no assunto. Iniciaram então o namoro, que durou 9 anos.

Carla Andrade nunca se arrependeu de ter dado uma segunda oportunidade à relação com António. No fundo, seguiu o conselho do psicoterapeuta Vasco Soares. “Nunca se deve encarar um primeiro encontro como uma derradeira cartada, mas sim como uma das muitas hipóteses que se tem na vida.


 

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